Eu pedi. Eu implorei. “Não vás”. Mas tu foste. Tinhas de ir, eu percebo. Mas na altura não percebi. Foi uma dor tão grande. Foi o desmoronar de uma vida. Uma vida não perfeita, mas nenhuma o é. Eu já devia estar á espera. Lá no fundo até estava. Mas lutava contra esse pressentimento. Senti-me abandonada por ti. A casa ficou vazia. Estava habituada á nossa nova rotina, só tu e eu.
Tínhamo-nos aproximado tanto. E tu vais. Assim, do nada. É injusto. Foi injusto. Foi melhor assim? Eu achava que sim. Agora já nem sei que pensar. Mudas-te para melhor, agora estás a regredir. Não te entendo. Foi preciso coragem para deixar para trás o que deixas-te. Mas agora não me pareces nada a não ser um cobarde. Um garotinho com medo do escuro Que se passou? Quem és tu? Já não percebo nada, não sei que pensar. Desisti de ti. Desculpa. Mas já não tenho forças. Já lutei tanto, que agora deixo as minhas armas a teus pés.Desarmada de tudo. Vou apenas levar-me pelo vento. Sem sentir, sem pensar.
Criei uma esfera na qual repouso, na qual tu não podes entrar. Somos como uma prenda sem laço. Odeio sentir isto. Odeio pensar isto. Desculpa, mais uma vez. Talvez isto mude. Talvez não. Desta vez não vou tentar descobrir. Vou esperar pacientemente na minha esfera. Vou fazer da tua vida uma televisão, na qual me sento a observar. Todas as histórias têm um fim. Qual é o nosso?
(10.01.2011)
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