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quinta-feira, 31 de março de 2011

Nós, mulheres...


"Não importa o quanto pesa. É fascinante tocar, abraçar e acariciar o corpo de uma mulher. Saber seu peso não nos proporciona nenhuma emoção.

Não temos a menor ideia de qual seja seu manequim. Nossa avaliação é visual, isso quer dizer, se tem forma de guitarra… está bem. Não nos importa quanto medem em centímetros – é uma questão de proporções, não de medidas.

As proporções ideais do corpo de uma mulher são: curvilíneas, cheinhas, femininas… Essa classe de corpo que, sem dúvida, se nota numa fracção de segundo. As magrinhas que desfilam nas passarelas, seguem a tendência desenhada por estilistas que, diga-se de passagem, são todos gays e odeiam as mulheres e com elas competem. Suas modas são rectas e sem formas e agridem o corpo que eles odeiam porque não podem tê-los.

(...)

É essa a lei da natureza… que todo aquele que se casa com uma modelo magra, anoréxica, bulímica e nervosa logo procura uma amante cheinha, simpática, tranquila e cheia de saúde.

Entendam de uma vez! Tratem de agradar a nós e não a vocês. porque, nunca terão uma referência objectiva, do quanto são lindas, dita por uma mulher. Nenhuma mulher vai reconhecer jamais, diante de um homem, com sinceridade, que outra mulher é linda.

As jovens são lindas… mas as de 40 para cima, são verdadeiros pratos fortes. Por tantas delas somos capazes de atravessar o atlântico a nado. O corpo muda… cresce. Não podem pensar, sem ficarem psicóticas que podem entrar no mesmo vestido que usavam aos 18. Entretanto uma mulher de 45, na qual entre na roupa que usou aos 18 anos, ou tem problemas de desenvolvimento ou está se auto-destruindo.

Nós gostamos das mulheres que sabem conduzir sua vida com equilíbrio e sabem controlar sua natural tendência a culpas. Ou seja, aquela que quando tem que comer, come com vontade (a dieta virá em Setembro, não antes; quando tem que fazer dieta, faz dieta com vontade (sem sabotagem e sem sofrer); quando tem que ter intimidade com o parceiro, tem com vontade; quando tem que comprar algo que goste, compra; quando tem que economizar, economiza.

Algumas linhas no rosto, algumas cicatrizes no ventre, algumas marcas de estrias não lhes tiram a beleza. São feridas de guerra, testemunhas de que fizeram algo em suas vidas, não tiveram anos ‘em formol’ nem em spa… viveram! (…) O corpo da mulher é o sagrado recinto da gestação de todos os homens, onde foram alimentados, mimados e nós, sem querer, as enchemos de estrias, de cesarianas e demais coisas que tiveram que acontecer para estarmos vivos.

Cuidem-no! Cuidem-se! Amem-se!

A beleza é tudo isto"

Paulo Coelho


terça-feira, 22 de março de 2011

Vontade

Vontade de gritar até ficar sem voz. Vontade de chorar até esgotar as lágrimas. Vontade de partir o que está à mão. Vontade de não demonstrar emoção nenhuma. Vontade de ser fria como uma rocha. Vontade de destruir como a maré. Vontade de escrever tudo o que me vem à cabeça e só escrever m****. Vontade de culpar tudo e todos pelas minhas desilusões. Vontade não sei de quê…
Mata-me esta inquietação que não me permite ter paz, ser feliz, mesmo que por breves momentos.
Sinto um peso no coração que me transporta para lugares escuros, profundos, vazios.
Acho que deixei de ser eu e passei a ser um fantasma. Limito-me a sobrevoar pelos dias, pondo um bonito sorriso na cara, fingindo que está tudo bem. Mas talvez não esteja.
Não sei o que aconteceu ou o que está a acontecer. Não me entendo. É difícil entender alguém como eu, até para mim o é.
A minha vida ainda mal começou e já sinto o peso dela sobre mim. Procuro desesperadamente um farol, um mapa, um guia, uma solução. Já não aguento mais esta angústia.
Mas que vontade de não ser eu!!

(22.03.2011)

sábado, 5 de março de 2011

Adeus

Grito calada as palavras que nunca te direi.

Choro todos os sorrisos que tivemos.

Fecho os olhos e olho para ti. Lembro-me como eras fragilmente forte, como brilhavas de forma tímida, como os teus gestos eram sossegados, como transmitias calma à tua volta.

Fiz de ti uma parte de mim. Estive sempre quando precisas-te, e quando não precisavas, eu estava lá na mesma.

Vimos passar as nossas vidas calmamente agitadas.

Mas tudo muda, nada é eterno.

E aqui me despeço de ti, porque um dia tu abrirás os olhos…mas nesse dia, o meu coração já estará fechado.

(23.2.2011)